Segurança do Paciente

Pulseira de risco de queda: avaliação, cor e implantação

Publicado em 19/10/2026

Pulseira de risco de queda: avaliação, cor e implantação

A pulseira de risco de queda é uma sinalização visual colocada no paciente que, na avaliação da equipe, tem risco aumentado de cair. O Protocolo de Prevenção de Quedas do Ministério da Saúde manda avaliar o risco na admissão e sinalizar para alertar toda a equipe. A cor não é padronizada no país: cada hospital define a sua no POP.

A seguir, o que o protocolo pede, como a avaliação funciona e o que o hospital precisa decidir antes de comprar a pulseira.

O que é a pulseira de risco de queda?

É uma pulseira de alerta, usada junto com a pulseira branca de identificação. Ela não identifica o paciente. Serve só para avisar, de longe, que aquela pessoa precisa de cuidados extras para não cair.

O Protocolo de Identificação do Paciente é claro nesse ponto: pulseiras coloridas de alerta "não devem ser utilizadas como identificadoras do paciente". Por isso o paciente com risco de queda usa as duas. A branca traz nome e prontuário. A colorida traz o alerta.

O que o protocolo do Ministério da Saúde diz sobre sinalização?

O Protocolo de Prevenção de Quedas (MS/Anvisa/Fiocruz) cita a "identificação do paciente com risco com a sinalização à beira do leito ou pulseira" como uma das intervenções que ajudam a prevenir quedas. Entre os procedimentos operacionais, ele manda "colocar sinalização visual para identificação de risco de queda, a fim de alertar toda equipe de cuidado".

Repare em dois detalhes. Primeiro, o protocolo aceita placa à beira do leito ou pulseira. Segundo, ele não define cor. A pulseira é uma escolha do hospital, e a vantagem dela é acompanhar o paciente fora do leito: no corredor, no banheiro, na maca a caminho do exame.

Como o risco de queda é avaliado?

O protocolo manda fazer a avaliação na admissão, "com o emprego de uma escala adequada ao perfil de pacientes da instituição", e repetir todos os dias até a alta. A reavaliação também vale quando o paciente muda de setor, muda o quadro clínico, sofre uma queda ou apresenta novo fator de risco.

Sobre as escalas, o protocolo cita a de Morse e a STRATIFY como as mais usadas no Brasil e no exterior. Mas faz dois alertas importantes:

  • ele próprio "não adota nenhuma escala em particular";
  • a Morse Fall Scale e as demais escalas "não são de acesso livre, sendo necessária autorização dos autores para sua utilização".

Ou seja, a escolha da escala e a autorização de uso ficam com o hospital. O protocolo também lembra que as escalas "não são universais": há escalas para adultos e outras para crianças.

Quais fatores aumentam o risco de queda?

O protocolo lista fatores de risco em grupos. Os principais:

Grupo Exemplos citados no protocolo
Idade crianças com menos de 5 anos e idosos com mais de 65
Cognição declínio cognitivo, depressão, ansiedade
Condições de saúde AVC prévio, hipotensão postural, tontura, convulsão, síncope, anemia, hipoglicemia
Funcionalidade uso de andador ou bengala, fraqueza muscular, amputação de membro inferior
Sentidos e equilíbrio alteração de visão, audição ou tato; marcha alterada
Medicamentos benzodiazepínicos, diuréticos, laxativos, insulina, polifarmácia (4 ou mais medicamentos)
Outros obesidade severa, história prévia de queda

Um ponto surpreende quem lê pela primeira vez. O protocolo classifica como baixo risco o paciente acamado, restrito ao leito e totalmente dependente. Já o paciente em maca, aguardando exame ou transferência, é de alto risco. Quem anda sozinho mas tem ao menos um fator de risco também é alto risco.

Por que a prevenção de quedas importa?

O protocolo reúne números de estudos internacionais. Em hospitais de países desenvolvidos, a taxa variou de 3 a 5 quedas por 1.000 pacientes-dia. As quedas produzem dano em 30% a 50% dos casos. E, desses pacientes, de 6% a 44% sofrem danos graves, como fraturas e hematomas subdurais.

Além do dano físico, o texto cita aumento do tempo de internação, dos custos e da ansiedade da equipe. O próprio medo de cair de novo reduz a mobilidade e aumenta o risco de nova queda.

Qual a cor da pulseira de risco de queda?

Não existe cor nacional. Cada hospital define a sua no POP de identificação. Dois exemplos públicos usam amarelo:

  • HUAC-UFCG/Ebserh (2022): amarelo para risco de queda, azul para alergia, verde para risco de lesão por pressão, laranja para acompanhante.
  • RioSaúde (2025): amarela para risco de queda, vermelha para alergia, roxa para protocolo de AVC.

Os dois concordam no amarelo para queda, mas discordam na alergia. É o tipo de diferença que a Organização Mundial da Saúde aponta como risco: a falta de um código de cores padronizado já levou a erros de profissionais que trabalham em mais de uma instituição.

Por isso vale uma dica prática: além da cor, considere a pulseira com o texto RISCO DE QUEDA escrito. Quem vem de outro hospital lê a palavra e não depende de lembrar a cor. Veja mais exemplos em cores da pulseira do hospital.

Como implantar a pulseira de risco de queda no hospital?

O protocolo pede que o Núcleo de Segurança do Paciente defina quem avalia o risco e quais ações preventivas cada paciente recebe. Para a pulseira, o roteiro abaixo cobre as decisões que costumam faltar no POP:

  1. Escolha da escala. Defina a escala por perfil de paciente (adulto e pediátrico) e verifique a autorização de uso.
  2. Cor e texto. Registre no POP a cor da pulseira e se ela terá o alerta escrito.
  3. Quem coloca. Na RioSaúde, o técnico de enfermagem coloca as pulseiras de risco no braço direito, com supervisão do enfermeiro. No HUAC, o enfermeiro coloca a pulseira da cor do risco.
  4. Quando reavaliar. Diariamente e nas situações que o protocolo lista. Se a reavaliação muda o risco, a sinalização deve acompanhar.
  5. Onde mais sinalizar. A placa do leito do HUAC tem campo para QUEDAS. A da RioSaúde traz os riscos do paciente, incluindo risco de queda.
  6. Educação. O protocolo manda orientar paciente e família sobre o risco e as medidas preventivas, na admissão e durante a internação.
  7. Indicadores. O protocolo sugere acompanhar a proporção de pacientes avaliados na admissão, as quedas com e sem dano e o índice de quedas por 1.000 pacientes-dia.

A pulseira sozinha não previne queda. O protocolo associa a sinalização a outras medidas: piso antiderrapante, iluminação, corredor livre, revisão de medicamentos, acompanhamento no banheiro. A pulseira só avisa quem precisa dessas medidas.

Qual pulseira comprar?

Para o alerta de queda, o hospital tem duas opções de formato. A pulseira colorida lisa resolve quando a equipe reconhece a cor. A pulseira personalizada acrescenta o texto impresso, como RISCO DE QUEDA, e pode levar o logotipo do hospital.

A Etiplus fabrica as duas em BOPP (filme plástico), 20×250 mm, com lacre adesivo, vendidas por milheiro. São à prova d'água e têm verniz contra álcool e produtos de limpeza. A colorida lisa tem pronta-entrega; a personalizada é impressa em preto sobre a cor escolhida entre 17 opções. Para orçamento ou amostra (o hospital paga só o frete), fale com a equipe da Etiplus.

Perguntas frequentes

Qual é a cor da pulseira de risco de queda?

Não há cor nacional. Nos POPs do HUAC-UFCG/Ebserh e da RioSaúde, a cor é amarela. Confira sempre o POP do seu hospital.

A pulseira de risco de queda substitui a de identificação?

Não. A identificação é feita pela pulseira branca. Pulseiras coloridas de alerta não devem ser usadas como identificadoras.

A escala de Morse é obrigatória?

Não. O protocolo do Ministério da Saúde não adota nenhuma escala e lembra que a Morse exige autorização dos autores para uso.

Com que frequência o risco deve ser reavaliado?

Todos os dias até a alta, e também na mudança de setor, na mudança do quadro clínico e após uma queda.

Paciente acamado precisa de pulseira de risco de queda?

Depende da avaliação. O protocolo classifica o paciente acamado e totalmente dependente como baixo risco. Mas a decisão final segue a escala e o POP do hospital.

Fontes

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